TETRACAMPEÕES E UMA DINASTIA DIFÍCIL DE DERRUBAR - O 5º VôleiJus teve de tudo... menos um novo campeão
"A força de uma equipe está na confiança entre seus jogadores." — Haikyuu!!

Saque, manchete, levantamento, ataque. Defesa, levantamento, ataque, bloqueio.
A bola finalmente toca o chão.
Os gritos surgem de apenas um lado da quadra.
Uma cena que se repete ponto após ponto, set após set, até o apito final.
Depois de sobreviver ao lavrado na Corrida de Orientação e perder a voz narrando o FutJus, chegou o dia em que precisei entregar o microfone. Pela primeira vez, eu não seria o jornalista esportivo da história. Seria um dos personagens dela.
Desde que o Tribunal de Justiça de Roraima criou o VôleiJus, em 2022, participei de todas as edições. E existe um detalhe curioso nessa história: até hoje, nunca terminei uma edição fora do pódio. Em 2026, mais uma vez, eu entrava em quadra para defender o time preto.
Como não dava para jogar, entrevistar e ainda fingir imparcialidade, a cobertura ficou nas mãos da jornalista Beatriz Evangelista. Ela e Maurício Fernandes cumpriram com excelência a missão de cobrir o campeonato de forma totalmente imparcial... torcendo descaradamente para qualquer equipe que não fosse a minha.
INICIO DA COBERTURA
Enquanto eu vestia a camisa do time preto e tentava ajudar minha equipe dentro de quadra, quem assumia oficialmente o microfone era Beatriz Evangelista.
"Oi, pessoal! A gente veio acompanhar a quinta edição do VôleiJus. Este ano temos competindo o time azul, o time preto e o time vinho. Então vamos acompanhar essa competição?"
Confesso que foi estranho assistir alguém fazendo o trabalho que normalmente seria meu.
Logo após, Mauricio Fernandes, o cara da comunicação interna do TJRR, resolver dar sua singela opnião:
"Chega de ditadura do time preto."
Era exatamente esse o sentimento que pairava sobre a quadra. Depois de três títulos consecutivos, será que finalmente alguém conseguiria impedir o tetracampeonato?
Maurício já tinha uma teoria.
"Monopólios precisam ser destruídos."
Ainda era cedo.
A bola nem havia subido.
COM O COMEÇO DO TORNEIO, VEIO A CONFIANÇA

A quinta edição do VôleiJus, torneio misto de vôlei de quadra promovido pela Secretaria de Saúde e Qualidade de Vida (SQV) do Tribunal de Justiça de Roraima, reuniu magistrados, servidores, estagiários, colaboradores e familiares em uma noite marcada por esporte e integração.
Depois da vitória do time preto por dois sets a zero na estreia, a Beatriz veio conversar comigo. A pergunta era exatamente a que muita gente queria fazer.
"Já dá para cantar vitória?"
Respirei fundo e recorri ao tradicional discurso de atleta experiente.
"Não. Ainda tem muito jogo para acontecer. A equipe azul dá medo. A gente precisa estudar os adversários antes de pensar no tetracampeonato."
E nem era discurso de ocasião.
Enquanto o time azul enfrentava a equipe vinho na quadra ao lado, eu conhecia praticamente todos os atletas dos dois lados. Sabia que qualquer descuido poderia custar uma vaga na final.

ENQUANTO UNS DEFENDIAM A HEGEMONIA
...outros queriam escrever uma história diferente.

Capitã da equipe vinho, Yasmin disputava seu primeiro VôleiJus. Vinda do vôlei de praia, ela contou que o maior prêmio da competição ia muito além do placar.
"Está sendo uma experiência muito gratificante. Todo mundo joga de igual para igual. O importante é essa interação entre todos."

Quem também chegou disposto a desafiar a hegemonia foi o time azul. Segundo o capitão Júlio Zeus, a preparação começou muito antes do primeiro saque.
"Nossa equipe vem treinando desde o início do ano. Além da competição, é um momento de atividade física, integração e convivência."
Confesso que conhecia os bastidores. O time azul havia sido formado praticamente na última hora, reunindo atletas inscritos individualmente. Não existia exatamente uma pré-temporada desde o começo do ano. Mas esse também é um clássico das entrevistas esportivas. Independentemente do resultado, todo time sempre chega "muito preparado".
A DECISÃO
Apesar da minha preocupação, ela durou pouco. Vencemos o time azul por dois sets a zero e garantimos mais uma vaga na final. Depois das partidas classificatórias, o roteiro reservou uma final entre o time preto e o time vinho.
A essa altura, a pergunta já não era mais se o time preto jogava bem. Era se alguém conseguiria impedir mais um título. A resposta veio dentro de quadra.

Com uma atuação consistente, nossa equipe confirmou o favoritismo e conquistou o tetracampeonato do VôleiJus, foi uma aula de trabalho em equipe, todos jogaram bem e teve de tudo, ace, ataque, defesa, bloqueio, bola de check. Um jogo completo.
Quanto à minha atuação...
Prefiro deixar essa análise para quem estava na arquibancada. Meu compromisso aqui é apenas registrar que, enquanto estive em quadra, a hegemonia permaneceu intacta.

Quando o último ponto caiu, a Beatriz voltou com o microfone.
Dessa vez, eu já podia abandonar o discurso cauteloso e partir para a soberba e a arrogância.
"São quatro títulos seguidos. Dizem que a gente monta panela, mas toda hora o pessoal sai do time e a gente precisa repor. E como o próximo campeonato vai ser por inscrição individual... fica aí: só a gente vai ser quatro vezes campeão do VôleiJus."
Confesso que a modéstia terminou exatamente junto com a partida.
Era impossível encerrar a entrevista sem uma última brincadeira.
“E aqui vai um recado para a Seleção Brasileira, aparentemente, o time preto vai ser hexa antes de vocês."
MAIS DO QUE O PLACAR

Entre saques, bloqueios, defesas improváveis e boas risadas, o VôleiJus mostrou mais uma vez que o principal resultado não aparece no placar.
A competição aproxima setores, coloca colegas de trabalho na mesma equipe e transforma a quadra em um espaço de convivência que continua fazendo efeito muito depois do último ponto.
Quanto ao time preto...
Bom, a missão de acabar com essa hegemonia continua oficialmente aberta.
Desta vez, a Beatriz ficou com o microfone. Eu fiquei com a camisa de jogador. Mas uma coisa permaneceu exatamente igual. No fim do campeonato, o time preto estava outra vez levantando o troféu.
E, sinceramente, depois de quatro títulos seguidos, talvez o maior desafio da próxima edição nem seja vencer o time preto. mas sim, o Mauricio Fernandes torcer para a equipe campeã.




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