ESPORTE, RESENHA E NARRADOR ROUCO - 7º FutJus termina com título do time azul claro e bastidores dignos de replay
Atualizado: 28 de jun.
Torneio de futebol society do Tribunal de Justiça de Roraima movimentou a Vila Olímpica Roberto Marinho com gols, entrevistas, bom humor e integração entre os participantes

“O que é lateral? E esse tal de latereio? Quem está ganhando está ganhando? E quem está perdendo está realmente perdendo? E, afinal, narrador também precisa baixar a bola?”
Essas e outras grandes questões do futebol mundial estiveram presentes no 7º Torneio de Futebol Society do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), o FutJus.
Com bola rolando, arquibancada participativa, entrevistas em tempo real e um repórter disposto a narrar até perder a voz, a competição promovida pela Secretaria de Saúde e Qualidade de Vida (SQV) movimentou a Vila Olímpica Roberto Marinho em uma noite de esporte, integração e resenha garantida.
A edição consagrou a equipe azul claro como campeã. E, pasmem: desbancando uma sequência de vitórias de outras equipes que, por motivos de preservação histórica e emocional, preferiram não ser citadas neste material.

Com o microfone na mão e um clima de final de campeonato, eu, Mairon Compagnon, ao lado do jornalista Maurício Fernandes e do fotógrafo Giovanni Reis, entrei em campo pelo Núcleo de Comunicação com uma missão clara: acompanhar os melhores e os piores momentos da disputa, conversar com os jogadores em tempo real e descobrir quem sairia campeão do 7º FutJus.
A competição reuniu magistrados, servidores, estagiários, colaboradores e demais participantes do Judiciário roraimense. Teve tudo que um bom compacto esportivo precisa: gols, canetas, chapéus, corneta, torcida animada, entrevistas improvisadas e aquele tipo de comentário que só aparece quando existe uma câmera ligada e alguém corajoso segurando um microfone.
Então apertem os cintos, que vem resenha por aí.
Pé no chão antes da final
Quatro equipes disputavam o pódio: amarelo, azul claro, preto e vermelho. Para facilitar a vida de quem acompanhou a resenha, vamos chamar o amarelo de Borussia Dortmund, o azul claro de Argentina, formado pelos colaboradores do transporte e apelidado carinhosamente de delivery de gols, o preto de Real Madrid e o vermelho de Reds. Tudo isso em um duelo de todos contra todos.
A primeira partida, entre o Real Madrid e o Borussia, começou agitada. Teve cartão amarelo com 20 segundos de jogo, expulsão, muitas faltas e uma disputa intensa, que terminou com um placar magrinho: 1 a 0 para a equipe preta.

Logo depois, a Argentina entrou em campo para encarar os Reds. E, coitados. Foi um passeio. Com mais de quatro gols marcados, começou ali o surgimento de uma equipe com cara de campeã. Na sequência, veio o confronto dos azuis contra o Real Madrid. E, claro, mais um atropelo.
Após a segunda vitória consecutiva, o camisa 11, Vinicius, foi questionado por mim se o time já poderia se considerar campeão. A resposta veio no melhor estilo jogador experiente em entrevista pós-jogo: nada de salto alto.
“Não, não, não. É pé no chão. A gente só deu um passo para a final. Tem muita água para rolar ainda”, afirmou o atleta.

Enquanto isso, o chaveamento começava a desenhar os próximos confrontos. A equipe preta venceu sua terceira partida e avançou para a final. Já a equipe amarela entrou na disputa pelo terceiro lugar contra a equipe vermelha.
Cleber Gonçalves: assistência, chapéu, gols e terceiro lugar

Antes da final, a disputa pelo terceiro lugar teve protagonista. O Borussia venceu os Reds por 4 a 0, com direito a atuação inspirada de Cleber Gonçalves, que marcou dois gols, deu assistência e ainda aplicou um chapéu para deixar o lance com cara de melhores momentos.
Na entrevista pós-jogo, conversei com o destaque da partida, que comemorou o resultado e dividiu os méritos com a equipe.
“Foi uma disputa bem acirrada, mas o nosso time treinou bem e conseguiu um ótimo resultado”, disse Cleber, em clima de dever cumprido.
A vitória garantiu o terceiro lugar ao Borussia e abriu caminho para a final entre Argentina e Real Madrid. Era o FutJus em sua forma mais pura: futebol, integração e resenha sem súmula oficial.

Final com narração, corneta e marcação dobrada
Antes de assumir o microfone, perguntei aos secretários do TJRR se havia quórum privilegiado para fazer comentários durante os 20 minutos finais do campeonato. Com o aval concedido, a proteção simbólica da segurança do evento e um aviso importante de que eu também sei correr, avisei aos atletas que narraria a final e que haveria comentários. Muitos comentários.
Argentina e Real Madrid entraram em campo como times campeões, com música de Champions League tocando e uma marra sem igual. E, por incrível que pareça, a expectativa se confirmou. Os azuis marcaram três gols ainda no primeiro tempo e praticamente encaminharam o confronto.
Tudo isso porque não ouviram este narrador/comentarista que vos fala. Logo nos minutos iniciais, orientei que, se a equipe preta quisesse equilibrar a partida, precisava ficar de olho no camisa 7, apelidado carinhosamente pela torcida de “Seu Osmar”, e no camisa 11, Vinicius. Afinal, um jogador de 1,90 metro que sabe jogar bola exige atenção redobrada. Nesse caso, talvez até marcação tripla.
A arquibancada também entrou em campo
Mas, se dentro das quatro linhas a disputa foi intensa, fora delas a arquibancada também entregou seus próprios melhores momentos. Entre uma jogada e outra, passei o microfone pelos torcedores e ficou claro que, no FutJus, nem todo comentário precisa seguir a lógica da Central do Apito para virar entretenimento.
Em uma das entrevistas, tentei colher uma análise sobre a partida. Afinal, com 3 a 1 no placar, o que mais poderia acontecer? Mas, no lugar de qualquer comentário técnico, recebi uma dúvida sincera e fundamental para qualquer transmissão esportiva:
“Eu não sei... o que é lateral?”, perguntou uma das torcedoras.
A explicação veio no improviso.
“É quando a bola sai pela lateral”, respondi.
Logo depois dessa aula relâmpago sobre futebol, a bola realmente foi para a lateral. Seu Osmar fez de tudo para evitar a saída e conseguiu. Mas o árbitro marcou lateral para o Real Madrid. No mesmo momento, Maurício Fernandes afirmou que não era lateral e que havia VAR para provar: o vídeo que ele tinha gravado para as mídias do Tribunal. Com isso, recebemos uma bronca do árbitro.
“Assim vocês me complicam. Se eu não marcasse e fosse gol, todo mundo ia vir para cima de mim”, disse ele.
Tentei, então, conversar com a nossa torcedora comentarista sobre o lance e explicar o que o árbitro havia me falado. A resposta veio sem piedade:
“Você também não sabe o que é lateral”, disse ela.
“Não, a bola não saiu”, retruquei.
“Mas eu disse”, respondeu a torcedora, antes de completar: “Fala para mim de novo, vou falar ‘Vai Corinthians’”.
Simplesmente uma aula de futebol.
E assim nasceu uma das análises mais sinceras da noite: sem domínio completo das regras, mas com muita presença de câmera e um “Vai Corinthians” estrategicamente posicionado no meio da final do FutJus.
A resenha seguiu com outro momento de pura objetividade esportiva. Diante de uma final agitada, pedi a avaliação de um torcedor veterano sobre o placar e o andamento da partida.
A resposta veio direta, precisa e impossível de contestar:
“Quem tá ganhando tá ganhando, quem tá perdendo tá perdendo.”
Foi o tipo de comentário que não precisa de replay, estatística ou tira-teima. Apenas aceitação. Aproveitei o microfone para destacar o momento na hora:
“Grande comentário, grande! Que partida!”
No fim, a arquibancada virou quase uma segunda competição. De um lado, os times disputavam o título. Do outro, os torcedores disputavam quem entregava a melhor frase da noite.
Time azul claro campeão

Depois de uma final movimentada, o time azul claro confirmou o favoritismo e ficou com o título do 7º FutJus. Um dos destaques da equipe campeã foi André, conhecido pelos colegas como “Osmar”, que comemorou a vitória e destacou o clima de integração do torneio.
“É importante primeiro a iniciativa do Tribunal de Justiça, de todo ano promover essa brincadeira entre os participantes, servidores e terceirizados. Estou feliz pela brincadeira, feliz pelo resultado e feliz por sair campeão hoje”, afirmou.
Questionado sobre o apelido “Osmar”, o campeão explicou que o nome vem do sobrenome do pai e acabou virando brincadeira entre os colegas.
“A galera brinca porque eu não gosto muito. Meu primeiro nome é André. Mas levo na esportiva também”, contou.
E, no espírito do FutJus, se levou na esportiva, está tudo certo. Campeão dentro de campo e personagem garantido no compacto.

No fim, o pódio ficou definido da seguinte forma: em terceiro lugar, o Borussia; em segundo, o Real Madrid; e, em primeiro, a Argentina, que também levou os prêmios de melhor goleiro e artilheiro da competição.
E claro que eu não poderia deixar a oportunidade passar. Com a vitória do time azul claro, da Argentina, do time do transporte, veio o comentário inevitável:
“Eles levam a gente para o trabalho e levaram a bola para dentro do gol adversário. Eles são o delivery de gols.”
Com isso, o 7º FutJus terminou como tinha que terminar: com campeão definido, arquibancada participativa, boas histórias para contar e a certeza de que o torneio vai muito além do placar.
Mais do que uma competição, o FutJus abriu espaço para convivência, descontração e qualidade de vida no ambiente institucional. Entre gols, chapéus, entrevistas improvisadas e comentários que jamais passariam despercebidos pelo VAR da resenha, o evento mostrou que integração também se constrói com bola no pé, riso solto e espírito esportivo.
Que venha o 8º FutJus.
Texto por: Mairon Compagnon e Chatgpt
Vídeos: Mauricio Fernandes
Fotos: Giovanni Reis
28 de junho de 2026




Muito bom, Mairon! Cada vez mais divertido de ler e ver os vídeos. 👏🏽👏🏽👏🏽…Parabéns!!!!