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Para Cyro Alves Mariano

21 de abr.
2 min de leitura

Há quase 2 anos, um dos sentimentos mais avassaladores que já senti me atingia em cheio: a morte do meu pai. De lá para cá, eu pouco comentei sobre isso, falei para alguns amigos, para minha família, para a psicóloga, mas deixei esse assunto longe das redes sociais. No máximo, postei uma foto na data em que ele fazia aniversário ou quando completou um ano de sua morte.

Mas é engraçado como o tempo pode passar o quanto for, mas para mim sempre vai ser doloroso falar sobre isso. A foto é do último dia que eu o vi com lucidez, no dia 30 de junho de 2024, 14 dias antes da sua morte.

Nesse dia ele fez questão de reunir todo mundo na sala e perguntar para cada um como estava a vida e se estava tudo bem, devia ser uma forma de saber que poderia ir embora com a certeza de que cada filho estava encaminhado na vida.

E hoje eu já consigo comentar sobre isso, consigo falar sobre como eu sinto sua falta sem embargar a garganta, dizer o quão bom ele foi para mim e a falta que eu sinto do seu abraço, das suas piadas, do seu mau humor.

"Cadê meu nego veio?", ele dizia.

Meu pai nunca foi de expressar o que sentia, mas eu sei, do fundo do meu coração, que de tanto abraçá-lo e dizer que o amo todas as vezes que ia embora, eu amoleci seu coração, não morávamos juntos, ele vivia no sítio enquanto eu morava na cidade e só o via aos fins de semana.

Depois de um tempo, ele fazia questão de se levantar para me abraçar e dizer para mim que me amava, e é imensurável dizer o quão feliz eu sou por isso.

Enquanto escrevo isso, volto a chorar, a sentir, mas não é um sentimento de tristeza profunda como antes, é um sentimento de falta, de saudade.

Sei que nós vamos nos encontrar de novo, e espero que nesse dia eu possa vê-lo de novo, com seus finos cabelos grisalhos penteados para trás, seus óculos característicos que deixaram uma marca permanenete em seu nariz, seu sorriso largo contendo um dente a menos do lado direito, seu típica camisa de botão 3x4 que ele fazia questão de deixar aberta perto do umbigo e que mostrava o enorme corte que tinha no seu peito, de uma cirurgia que fez em meados dos anos 2010.

Quero sempre lembrar dele assim, feliz, e quero que ele saiba que não tem um dia que um simples pensamento sobre ele não me vem a mente.

Te amo meu pai

Cyro Alves Mariano


Que eu consiga te orgulhar mesmo no seu pós vida.

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